Entrevista de Jilmar Tatto, candidato do PT a prefeito de São Paulo

Com uma história de militância no PT e de luta a serviço do povo, em maio o PT elegeu, com apoio do DAP, seu pré-candidato à prefeitura de São Paulo.

Em seu discurso Tatto ressalta: “vamos colocar o povo no orçamento público com participação popular, bem no modo petista de governar”.

Leia, na íntegra, a entrevista concedida ao jornal “Perdizes em Movimento“, do Diretório Zonal do PT de Perdizes, da capital paulista.


Entrevista de Jilmar Tatto

Por Cayo Pereira e Alexandre Carrasco

Natural de Corbélia (PR), Jilmar Tatto, 54, se mudou para São Paulo ainda criança. Criado na Capela do Socorro, em 1981 se filiou ao PT, onde foi secretário municipal das pastas de abastecimento, implementação das subprefeituras e de transportes, esta última por duas vezes (gestões Marta Suplicy e Fernando Haddad). Também foi eleito deputado estadual e federal. Como secretário de transportes, foi responsável pelas maiores inovações na cidade: criação do Bilhete Único e do Passe Livre estudantil (atingindo 505 mil estudantes à época da implantação), realização da primeira licitação pública para linhas de ônibus, criação de 400 km de corredores e faixas exclusivas para ônibus e outros 400 km para ciclovias.

Com uma história de militância no PT e muita experiência a serviço do povo, foi eleito em maio pré-candidato do partido à prefeitura de São Paulo. Comprometido a ouvir a militân­cia no processo de montagem do plano de governo, ele fala nesta entrevista sobre combate ao coro­navírus, implantação da tarifa zero no transporte público, políticas públicas para a periferia, alianças para a disputa municipal entre outros assuntos de interesse dos petistas.

Por que você deseja ser prefeito de São Paulo?

Desde muito novo me dediquei à política, participei da fundação do PT, militei nos movimentos eclesiais de base, fui deputado estadual, deputado federal – inclusive líder do PT no governo Lula – também exerci funções de secretário de Abastecimento, secretário de Subprefeituras e Transportes. Durante todo esse tempo me dediquei a atuar para que o poder público funcionasse em prol da população. Implantei o Almoço e Janta nas escolas, o Bilhete Único, mudamos a cara da cidade de São Paulo. Também abrimos as avenidas, como a Paulista Aberta, para que o povo possa se apropriar da cidade, fizemos 400 km de ciclovias e de faixas exclusivas pra ônibus. Me orgulho muito do que fizemos para a cidade de São Paulo e tenho experiência para isso.

Qual seria a principal bandeira de sua gestão?

Colocar o povo no orçamento público, priorizando os mais vulneráveis dessa cidade. Precisamos descentralizar a administração com transparência e participação popular.

Em função do aumento da desigualdade social advinda da pandemia, precisamos implantar a renda básica de cidadania, ônibus gratuito de forma gradativa e uma rede de cultura que valorize o ser humano e tire o jovem periférico da exclusão digital,  oferencendo tecnologia e insumos para que exista uma rede articulada de qualificação, assistência social, cultura e educação.

Qual seu plano no combate ao coronavírus ?

O Estado precisa ser garantidor e protetor da população. Então, além da renda básica e da tarifa zero progressiva, eu defendo que sejam criados hospitais de campanha não só no Pacaembu, mas também na Zona Leste, no fundão da Zona Sul, Zona Oeste, Norte e acima de tudo, precisamos colocar os equipamentos públicos para funcionar. A prefeitura anunciou a reabertura parcial do (Hospital) Sorocabana. Precisamos mesmo é da abertura total, de sua municipalização e adesão de 100% ao SUS. O mesmo com outros hospitais que estão parados ou subutilizados. Precisamos destacar que foi uma luta dos movimentos sociais. Inclusive, participei de um ato em defesa da reabertura do Sorocabana no último dia 23 de maio.

Precisamos, também, ampliar a segurança e higienização dos ônibus e todo o transporte púbico. Evitar medidas desastradas como o megarrodízio, o fechamento de vias. Colocar a frota toda na rua pra evitar aglomeração.

Outra coisa: o caixa da prefeitura bateu recorde: R$ 7,7 bilhões. Enquanto isso, os investimentos em Saúde e Assistência Social ficaram abaixo do ideal.

Como você pretende agir na oposição aos desmandos de Doria e Bolsonaro, estando à frente da prefeitura de São Paulo?

Com responsabilidade, apesar de que no caso do Bolsonaro, não existe diálogo. Ele atua no caos para esconder sua incapacidade frente à Presidência.  Com Bolsonaro não tem acordo. Ele não acredita na ciência, coloca em risco a vida do povo brasileiro, é fascista e fere direitos do trabalhador.Quanto ao governo do estado e prefeitura espero que acertem mais do que erram, e que tenham planejamento e coordenação para enfrentar essa pandemia.

Na sua opinião, o que falta para a consolidação de uma ampla frente de esquerda e progressista para enfrentar a extrema-direita a nível municipal, estadual e federal?

Em relação ao combate fascismo e defesa democracia não podemos medir esforços e precisamos unir todos setores democráticos e de esquerda do país.

São Paulo sofre há décadas com enchentes, ao mesmo tempo que Doria e Covas cortaram pela metade o orçamento para sua prevenção. Como sua gestão trataria deste assunto?

São Paulo é a cidade mais populosa do país e deve ser planejada do ponto de vista da inovação. Já está na hora de serem discutidas medidas que coloquem a capital na direção das chamadas “cidades permeáveis” ou “cidades-esponja”.

Uma saída é a implantação dos chamados jardins de chuva. Substituir as rotatórias, que são feitas todas de cimento, por grama seria uma das ações, por exemplo. Com isso, parte da água da avenida escoa, alimenta o lençol freático e torna o local permeável. Outra solução passa por medidas de retenção em grandes construções. Mas, claro, estamos falando de estratégias em larga escala que devem ser associadas a um plano macro de drenagem.

São Paulo não é uma cidade isolada, ela está inserida em uma região metropolitana, dividindo bacias, capacidade de escoamento e, obviamente, os seus grandes problemas.  Assim, as soluções também precisam ser pensadas em uma perspectiva metropolitana, e a prefeitura de São Paulo tem todas as condições de encampar uma iniciativa nesse sentido.

Como lidar com as desigualdades em São Paulo e  colocar a periferia no centro das políticas públicas?

Vamos colocar o povo no orçamento publico com participação popular, bem no “modo petista de governar”. Como nos ensinou o presidente Lula que fez de seus governos os mais inclusivos e revolucionários da nossa recente história democrática. Quanto à desigualdade, que só aumenta em São Paulo, e vai piorar com a pandemia, acho que precisamos sempre focar na máxima: “quem ganha mais, paga mais”.

Como sua gestão irá lidar com a terceirização na saúde?

O projeto de Estado mínimo claramente fracassou. Vamos fortalecer o Estado democrático que cuida das pessoas, que é generoso. Precisamos “desprivatizar” o Estado, essa pandemia mostrou importância do Estado forte, como o SUS que foi tão criticado pelos neoliberais – que até tentaram acabar com ele – e que agora é a salva guarda do país e do povo brasileiro.

Por que, com Jilmar Tatto, é possível acreditar em tarifa zero para os ônibus?

Chegou a hora de tratar o transporte como a saúde e educação. É um direito constitucional e deve ser encarado assim:  público, gratuito e universal. Pela minha experiência, nós ja implantamos em São Paulo, no governo Haddad, o passe livre dos estudantes, por exemplo. Agora precisamos ampliar esse direito. Lembrando que foi um benefício reduzido por Doria, assim como o Leve Leite que ele praticamente extinguiu.

No âmbito da Operação Consorciada Água Branca (OUCAB), há mil famílias aguardando o início das construções de moradias populares. Elas podem confiar que sua gestão irá entregá-las?

Deve ser compromisso do PT a priorização e agilização da realização das obras previstas na Lei da OUCAB para as quais há dinheiro rendendo no banco desde 2013. Na gestão do PT com o prefeito Haddad, a lei foi revisada (em 2013), aprovada, realizadas as eleições de representantes da sociedade civil para constituir o Grupo de Gestão da OUCAB e projetos iniciados. Ao final da gestão, foi entregue a drenagem do Córrego Sumaré e parte da drenagem do Córrego Água Preta e iniciados projetos das demais obras.

Na gestão atual, os projetos não foram priorizados, e passados os 4 anos, nenhuma obra prevista foi realizada, mesmo tendo mais de R$ 662 mil em caixa.

Como você vai lidar com a escolha das alianças para a eleição?

Nossa principal aliança é com o povo. Vamos dialogar com todos os partidos de esquerda, progressistas e democráticos e que queiram defender o povo. Se essa aliança ocorrer em um primeiro turno seria excelente, se não ser vai acontecer em um eventual segundo turno.

A escolha do seu ou sua integrante de chapa levou a muitos debates dentro do partido durante as prévias. Qual a sua posição a respeito?

O PT é um partido democrático que sempre valorizou a democracia interna e está unido para derrotar o fascismo em São Paulo e derrotar os neoliberais. Vamos implantar um plano de governo inclusivo, participativo, onde a militância seja devidamente representada. Vamos fazer, de fato, um governo participativo e popular.

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