Exigimos liberdade para Thiago Ávila e Saif Abu!
Em 30 de abril, forças israelenses interceptaram, em águas internacionais próximas à Grécia, a flotilha que se dirigia a Gaza com ajuda humanitária.
Por quase três anos os palestinos foram submetidos a uma operação de genocídio com bombardeios, e a privação de comida, água, remédios e moradia. Morreram pelos bombardeios e de inanição. A flotilha tinha em seu “arsenal” contra o genocídio, gêneros de primeira necessidade.
Sob bandeira italiana (cujo governo denunciou como ilegal a captura), a flotilha era composta por ativistas de várias nacionalidades. Após a interceptação, os ativistas foram desembarcados na Grécia. Mas dois deles – o brasileiro Thiago Ávila e Saif Abu, sueco-espanhol de origem palestina – foram capturados e levados à prisão em Israel.
Como denunciam seus familiares e advogados eles foram sequestrados. Sim, sequestrados por bandidos assassinos que querem calar qualquer voz que se levante em defesa do povo palestino!
Há oito dias os dois ativistas estão sem nenhuma acusação formalizada que justifique a prisão, com apenas vagas menções de “terrorismo” submetidos a interrogatórios e tortura.
Lara Souza, companheira de Thiago e mãe de seu filho, num depoimento comovente em que pede ajuda, denuncia que Thiago, sob tortura, ficou cego por dois dias. Entraram em greve de fome, greve que agora Saif transformou em “seca” (nem comida nem água).
A Global Sumud Flotilha (GSF) responsável por organizar o envio dos ativistas exige a imediata e incondicional libertação dos dois ativistas e também dos presos políticos palestinos que passam, nas mesmas masmorras sionistas, o mesmo horror. A GSF afirma que a passagem da greve de fome para a greve seca é “um grito para que mundo desperte”.
Sim, o mundo precisa despertar!
O que se passa com o povo palestino é a expressão mais nua, crua e cruel, do futuro da humanidade, se seguir tendo o imperialismo como seu timoneiro. Desde de que começou, após 7 de outubro de 2023, a ofensiva genocida do sionismo, numa escala bem mais elevada do que os palestinos já sofrem desde a criação do Estado de Israel, pela ONU, em 1948, trabalhadores se organizam e se manifestam nas ruas em vários países com ações práticas, como os portuários italianos que se recusaram a embarcar armas para Israel.
No Brasil, a Rede Universitária de Solidariedade ao Povo Palestino num manifesto de repúdio à ação do estado israelense, afirma:
“Sobre este episódio de pirataria em águas internacionais, impõe-se reconhecer a Nota do Itamaraty e do Governo da Espanha, de 1/5/2026, e a declaração de Lula da Silva, de 5/5; de forma oportuna, ambas denunciam ‘o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do Governo de Israel’ e exigem que os ‘dois ativistas sejam imediatamente soltos’.
Caso isso não ocorra nas próximas horas, a Rede Universitária defende que, tal como decidiu o governo da Espanha, o governo brasileiro retire, imediatamente, sua representação diplomática de Israel”.
Para barrar esta barbárie, não será com as instituições internacionais, como a ONU, que a humanidade pode contar. É a ação concreta dos trabalhadores e dos povos que buscam abrir uma via para romper com a ofensiva imperialista que se poderá tirar do inferno no qual hoje estão aprisionados, Thiago e Saif.
Em Barcelona, amanhã, 9 de maio, está sendo chamado um ato amplo pela libertação de Saif e Thiago. Façamos o mesmo no Brasil!
Misa Boito, membro do Comitê Nacional do DAP