Trabalhadores rurais lutam por melhorias e enfrentam a violência

A região do Vale do Rio Doce, cuja “cidade polo” é Governador Valares (MG), concentra o maior número de assentamentos rurais do estado, fruto da luta vitoriosa dos trabalhadores do campo nas décadas de 80 e 90. Mas, passado quase 40 anos, as comunidades rurais que se formaram ainda enfrentam muitas dificuldades como acesso a programas de investimentos agrícolas e maquinário, o que tem levado muitas organizações a recorrerem às “emendas parlamentares” que, na maioria das vezes, são acompanhadas das solicitações – veladas ou não – de “compromissos” eleitorais futuros, no famoso “toma lá, dá cá”.

A região também sofre até os dias de hoje com o rompimento da barragem de Fundão (crime da Samarco/Vale em 2015), que destruiu o Rio Doce, florestas e enormes faixas de terra onde se desenvolvia a agricultura e o sustento das populações ribeirinhas. São mais de dez anos que as organizações de trabalhadores rurais correm atrás de investimentos e de uma “reparação” que ainda está longe de ser resolvida, ainda que tenha avançado com o novo acordo firmado em 2024 com a Samarco/Vale. 

Foram três lideranças assassinadas desde 2017 até os dias de hoje. Nos três casos, ninguém foi preso até o momento. Mesmo no caso do companheiro conhecido como Zé dos Peixes, onde o pistoleiro foi identificado (o mandante ninguém sabe…) e segue livre.

Em 2024, frente aos assassinatos, assentados e suas organizações criaram o “Fórum Contra a Violência no Campo e na Cidade” que organizou várias mobilizações. Foram a partir dessas ações que foi identificado o pistoleiro da morte do Zé do Peixe.

Na comunidade rural de São Geraldo da Piedade, familiares, amigos e militantes do PT, se uniram para exigir investigação e punição dos responsáveis pelo assassinato do companheiro conhecido como “Bala”.

Nas palavras de uma professora, liderança na comunidade, “não podemos nos calar, me sinto uma covarde se deixar as coisas como estão, a gente precisa lutar”.

A comunidade escreveu uma carta à Comissão de Direitos Humanos” da ALMG onde se lê: “não é crível aceitar que após um ano do assassinato, os órgãos competentes não tenham realizado nem ao menos um exame balístico, para não falar de inúmeros depoimentos que sequer foram colhidos, inclusive de membros de família. Nós permanecemos – a família, amigos e o conjunto de nossa comunidade – firmes no propósito de exigir justiça! Não permitiremos que este crime permaneça impune e seguimos aguardando providências concretas”. A carta solicita também uma conversa diretamente com a Comissão dos Direitos Humanos. Através de requerimento encaminhado pelo deputado Betão, está para ser confirmada uma Audiência Pública durante o mês de junho. A comunidade rural de São Geraldo da Piedade, espera que a Audiência seja um primeiro passo na luta pela apuração dos fatos e punição dos responsáveis. Agora é garantir a presença das organizações dos trabalhadores rurais na Audiência.

Sumara Ribeiro, Executiva do PT/MG

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *