Ingerência imperialista: não são sinais, é evidência

O ato de lançamento oficial à presidência da candidatura de Flavio Bolsonaro (FB, daqui em diante) escancarou o processo em curso do imperialismo para derrotar Lula nas eleições de 4 de outubro.

O avanço da extrema direita nas eleições em países sul-americanos (Argentina, Bolívia, Chile, Peru e Colômbia) está em sintonia com a política imperialista. Mas, atenção, os povos desses países não estão adormecidos. No Peru, Keiko Fujimori tomou posse no dia de uma grande marcha em oposição em Lima. Assim como foi gigantesco o ato na despedida de Petro na Colômbia.

Mas a chave mestra para a ofensiva do imperialismo em crise seguir adiante na região, é a eleição presidencial no Brasil. Por isso, desde Washington, Trump manieta seus títeres.

Na convenção do Partido Liberal o candidato a presidente foi coadjuvante de títeres mais “encorpados”.

Depois de uma reunião com 40 embaixadores levantando suspeitas sobre as eleições no Brasil, um repeteco do que fizera seu pai em 2022, FB é oficializado candidato em um ato onde a principal estrela foi o presidente argentino, Milei. Veio e vomitou impropérios contra Lula. Mas, para o contrarregra FB, só Milei era pouco.

Num vídeo, surge o terrorista assassino Netanyahu em apoio ao “amigo FB”.

A convenção e outros fatos recentes mostram o que vem pela frente. O imperialismo EUA não dará trégua. O recente tarifaço decretado pelo governo Trump para dezenas de países faz parte, mas é só um aperitivo para seu apetite sobre o Brasil.

Evidências da ação de ingerência dos EUA nas eleições brasileiras.

1) “O Consulado dos EUA tem convidado influenciadores conhecidos por fazer oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para participar de encontros em grupos reduzidos sobre ‘liberdade de expressão e ambiente digital” e sobre “os rumos da liberdade de expressão no Brasil”. (Correio Brasiliense, 27/07).

2) “A Embaixada dos EUA no Brasil procurou o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), para viabilizar uma agenda de Riley Bernes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos EUA, comandado por Marco Rubio. Os representantes do governo Trump justificaram a viagem afirmando que pretendiam realizar contatos relacionados ao processo eleitoral brasileiro e promover debates sobre liberdade de expressão” (Agência Pública).

3) O Senado realiza o I Fórum de Segurança Regional e Contraterrorismo – O Nexo Terror-Crime. Organizações internacionais participantes:

Center for a Secure Free Society que produz estudos aproximando Hezbollah, Irã, crime organizado latino-americano, PCC e Comando Vermelho;

Foundation for Defense of Democracies com forte influência sobre setores da política externa e de segurança dos Estados Unidos, especialmente em temas relacionados ao Oriente

Frente a este script vamos organizar a luta para derrotar o imperialismo, reeleger Lula, no combate por novas instituições que livrem o país da carcaça podre do imperialismo, historicamente amparada nas instituições.

A luta por uma reforma política que arranque a praga pela raiz, pelas demandas populares (fim da jornada 6×1; reforma agrária…) são as armas com que podemos frear esta ofensiva imperialista.

Misa Boito, membro do Comitê Nacional do DAP

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