Sobre o retorno de Marta ao PT 

📸 Na foto em destaque: Eduardo Cunha, Michel Temer e Marta Suplicy

✍️ Autor(es): Barbara Corrales, membro da Executiva Municipal do PT; Carlito Pires, membro do Diretório Municipal do PT; Henrique Ollitta, membro do Diretório Estadual do PT de SP


Em meio às notícias e articulações de dirigentes do partido para indicar Marta Suplicy como vice de Guilherme Boulos na chapa para as eleições da Capital, cabe fazer neste momento algumas considerações para o conjunto dos militantes, muitos deles perplexos pela forma e conteúdo dessas articulações. 

Marta Suplicy abandonou o PT em 2015, quando nossos dirigentes, instâncias e militantes eram atacados de forma orquestrada pela classe dominante sob a acusação de corrupção. […] O objetivo era destruir o PT, que apesar de suas limitações e erros, representa o maior instrumento político construído pela classe trabalhadora brasileira. 

Marta embarcou nessa canoa, sem pestanejar fez coro com todos os ataques e apostou no fim do partido, no fim de Lula, no fim das conquistas que até então a classe, como todas as dificuldades, havia alcançado. […] Marta tinha mandato no senado, mandato que havia conquistado na legenda do PT em 2010. Rompeu com o partido e usou ilegitimamente o mandato que era do PT para destruí-lo. […]. 

Marta votou a favor da PEC do Teto de Gastos, […]. 

Marta votou a favor da Reforma Trabalhista, instrumento que desregulamenta as leis e garantias, conquistas de 70 anos da classe trabalhadora. […] Ou seja, Marta Suplicy se alinhou com o que de pior havia no Congresso Nacional, alimentou toda a operação do maior ataque aos direitos do povo brasileiro em décadas. 

E como morango em cima do bolo, como todos sabemos, votou no golpe contra Dilma, com direito a flores para a Dra. Janaina… Marta ajudou a legitimar o golpe, […]. 

Eleitoralmente, ainda Marta será questionada por ter feito parte de um governo bolsonarista de Nunes até a semana passada. Uma credencial nada positiva para nossa chapa eleitoral. 

Não somos adeptos do “pecado mortal”. Todo mundo pode errar e reconhecer seus erros. Mas a refiliação de Marta Suplicy, sem qualquer balanço de seu passado pregresso, é um elemento de desmoralização não dela, mas do partido. 

Nesse quadro, perguntamos: não cabe ao Partido discutir esse “retorno”? Não cabe discutir se um dirigente, depois de se passar com armas e bagagens para o lado dos patrões, não teria que discutir aberta e publicamente como pretende rever suas posições e erros? Para nós, esse caso emblemático não encerra uma discussão somente de chapa e conveniência eleitoral. Trata-se de discutir mesmo que programa político os militantes do partido entendem como legítimo e se os dirigentes estão ou não obrigados a cumprir com esse programa. Além de considerarmos que o PT deveria indicar um nome do partido como vice de Boulos, não nos parece que “passar pano” nesse caso seja o caminho correto. 

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