Guerra tarifária de Trump espalha sua crise pelo mundo

Uma semana depois de tarifar novamente produtos brasileiros, Donald Trump anunciou nessa quinta-feira (23), uma sobretaxa de 12,5% alegando que o Brasil não combate o trabalho forçado. O Brasil aparece numa lista de 59 países, como Taiwan, Japão, Reino Unido e Suíça, além da União Europeia. Jamieson Greer, Escritório de Comércio dos EUA (USTR), hipocritamente disse que o objetivo é “melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo”. Falso, porque a nova rodada de alíquotas é uma forma de manter a arrecadação agora que vencem as atuais tarifas, devido à Suprema Corte americana. Trump joga sobre o mundo, seja pela guerra militar, social ou tarifária, o custo da crise de dominação estadunidense. O governo brasileiro precisa proteger o país e os empregos.

A ofensiva tarifária sobre o Brasil chega a 37,5%. Destes, 25%  devidos a “práticas desleais” 12,5%, por “trabalhos forçados”. O relatório do USTR é revelador. Entre outros pontos, ele fundamenta a sobretaxa na existência do Pix, em linha com as operadoras de cartões estadunidenses, como Visa e Mastercard. As tarifas não pararão por aí, Greer já anunciou novas tarifas por supostos subsídios à indústria e manipulação cambial.

Entre os produtos atingidos estão os calçados, máquinas e equipamentos, peças, confecções e químicos não-farmacêuticos.

Por outro lado, sob o medo de aumentar ainda mais os preços para consumidores nos Estados Unidos há poucos meses das eleições de meio de mandato para Senado e Câmara, Trump isentou de taxas a carne, café, suco de laranja, petróleo e frutas, entre 2 mil itens. Trump está com a popularidade em queda, tem uma margem de manobra

Na quarta-feira (22), o governo anunciou o plano Brasil Soberano 3, com R$ 18,5 bilhões em financiamentos para empresas atingidas pelas novas tarifas, além de setores estratégicos e exportadores afetados por instabilidade geopolítica – inclui fertilizantes e minerais críticos.

Em nota da Secom, o governo rechaçou o “caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas” e anunciou imediatamente trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade. A Abimaq (associação da indústria de maquinas) em nota pediu a “retomada do diálogo” e se opôs a reciprocidade, tal qual a CNI (confederação indústria) que também em nota criticou “decisões precipitadas”.

Em 2025, o Plano Brasil Soberano, face ao primeiro tarifaço, estabelecia como contrapartida aos empréstimos a manutenção do “nível de emprego”. Isso não impediu demissões, prejotização e recontratação com salários mais baixos. Da mesma forma, o governo não criou nenhum mecanismo de fiscalização específico que, no mínimo, constrangesse os patrões. s. Poderia, por exemplo, criar um disk-denúncia. Por outro lado, há necessária mobilização e fiscalização dos sindicatos.

Para os trabalhadores, soberania é uma questão concreta que também significa a defesa dos salários e empregos.

Marcelo Carlini, membro do Diretório Estadual do RS

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