450 mil nas ruas da França no 3º dia de protestos estudantis

Nesta terça-feira, 6 de outubro, cerca de 450 mil estudantes secundaristas, universitários, professores, pais, sindicalistas e trabalhadores em geral, foram às ruas na França atendendo ao chamado das organizações juvenis e centrais sindicais. Antes disso, já haviam ocorrido duas grandes manifestações nacionais em 29 de setembro e 1º de outubro. A pauta central é o direito básico de estudar. Salas de aula superlotadas, falta de professores e dificuldades para encontrar estágio (obrigatório no país) são os principais motores dos atos.

Na mesma semana, o governo Macron apresentou um projeto de Orçamento para 2027 com 54 bilhões de euros (R$ 301,6 bilhões) a menos destinados a escolas, hospitais, seguridade social e aposentadorias, enquanto prevê 6 bilhões de euros (R$ 33,5 bilhões) à mais para as Forças Armadas, em meio à guerra na Ucrânia e à pressão de Donald Trump para ampliar os gastos militares.

A revolta da juventude foi respondida com forte repressão policial. O próprio governo afirma que prendeu 6.877 pessoas desde o início dos protestos, há duas semanas, 86% das quais menores de 18 anos. As federações sindicais de professores, convocaram para se colocar ao lado dos alunos.

Na quinta-feira, na Praça da Bastilha no Centro de Paris, dezenas de milhares de jovens bloquearam tudo com o apoio de professores. Jean-Luc Mélenchon, candidato à presidência pela França Insubmissa (LFI), foi aclamado e declarou que os estudantes haviam “retomado a Bastilha”, cenário da Revolução Francesa de 1789.

Deputados da LFI e o seu prefeito Bally Bagayoko, de Saint-Denis, também apoiaram e participaram dos atos para os jovens da repressão. A foto do prefeito pondo o corpo em frente das tropas de choque rodou o mundo. A LFI é acusada de instrumentalizar as mobilizações e incitar à violência. Macron teme e tenta impedir qualquer união entre juventude e trabalhadores.

No mesmo dia, o ministro da Educação prometeu colocar mais 3 mil professores nas escolas nos próximos dias. Sabrine Kharbach, da União dos Estudantes, reagiu afirmando que “enquanto não tivermos 10 bilhões de Euros sobre a mesa, prosseguiremos com nossas ações”.

Na Bélgica, estudantes protestam contra o custo do ensino superior, do transporte público e contra salas de aula superlotadas. No dia 9 de outubro, 30 mil pessoas foram às ruas de Bruxelas, com 20 detidos, a maioria menores de idade. O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, planeja cortar 10 bilhões de euros (R$ 55,8 bilhões) para atender ao ajuste fiscal, outro componente comum da crise e da resistencia.

Na Itália, jovens também se mobilizam. “Inspiramo-nos na França”, afirmam estudantes secundaristas de Turim. As reivindicações são semelhantes. Na Alemanha, manifestações estudantis exigem mais investimentos em educação e contratação de professores.

Marcelo Carlini, Diretório Estadual do PT-RS

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