França: unidade para derrotar Macron

Unidade para derrotar Macron. A luta dos coletes amarelos na França segue, agora em novo estágio de organização, reunidos em assembleia nacional de delegados. Publicamos aqui a matéria do Jornal Informações Operárias, do partido francês POI, aderente do ACiT (como o DAP no Brasil). Texto publicado em português no site do partido POUS, de Portugal.

A 30 de Março, em Paris, a Convenção Nacional de Comitês de Resistência e Reconquista (1) reuniu 324 delegados, representando 3500 trabalhadores: Coletes Amarelos, sindicalistas, militantes operários, parlamentares, de diversas tendências políticas. No mesmo dia, a 20ª jornada de luta dos Coletes Amarelos reuniu milhares em toda a França. Na Convenção, após um debate apaixonado, foi adotada uma Declaração que começa por saudar a luta do povo da Argélia – ex-colônia francesa – e da qual publicamos alguns trechos.

«Nós, delegados da Convenção Nacional, declaramos:

– Há mais de quatro meses, o Governo responde à revolta dos Coletes Amarelos com violência estatal, leis que tolhem a liberdade e medidas de exceção, numa escalada repressiva tão odiosa quanto perigosa;

– Mais de nove mil pessoas já foram presas preventivamente, duas mil foram condenadas. Há milhares de feridos, centenas com gravidade e vítimas de mutilações, entre os quais jovens estudantes liceais duramente reprimidos.

– Agora, o Governo foi mais longe: a 23 de Março, em diversas cidades, as manifestações foram proibidas e, facto sem precedentes desde 1947, o Governo apelou à intervenção do Exército;

– A razão desta escalada totalitária é impor as mesmas políticas destrutivas rejeitadas em toda Europa; para satisfazer as exigências do capital, milhões de milhões de euros são dados de presente aos grandes grupos econômicos, que despedem os trabalhadores e querem liquidar as nossas conquistas sociais;

– O Governo prepara uma reforma da Segurança Social, cujo objetivo é acabar totalmente com essa conquista essencial das classes trabalhadoras, arrancada em 1945, e instaurar um “sistema por pontos” que liquida os quarenta e dois regimes especiais existentes; serviços públicos, funcionalismo público, protecção social, direito à Educação e à Saúde, querem acabar com tudo isso.

Apesar da repressão, a revolta não recua. Todas as semanas nós manifestamo-nos para mudar este sistema e exigir: Fora Macron!

Basta deste Governo, que serve exclusivamente os interesses do capital financeiro. Basta dos partidos que se sucedem no poder e das instituições antidemocráticas da 5ª República que garantem a dominação do capital financeiro.

Ninguém aguenta mais!

De 5 a 7 de Abril, centenas de Coletes Amarelos de todos o país, mandatados por assembleias gerais, irão reunir-se na cidade de Saint-Nazaire. Nós saudamo-los fraternalmente.

Em nível local, apesar das “reservas” e “hesitações” das Direções nacionais do movimento operário, os trabalhadores, aposentados e jovens, com os Coletes Amarelos e os sindicalistas, desfilam lado a lado.

Nos nossos Comitês de Resistência e Reconquista, Coletes Amarelos, sindicalistas, militantes de todas as tendências, estamos convictos de que é nossa responsabilidade batalhar pela unidade, começando pela base, em cada localidade.

A resistência exprime-se na França e noutros países da Europa. Nós partimos dela para continuar a agir, impulsionando a unidade. É com unidade, todos juntos, pela ação coletiva, nas manifestações e pela greve massiva, que poderemos bloquear, fazer recuar e derrotar Macron e a sua política. Apelamos ao reforço e alargamento dos Comitês de Resistência e de Reconquista, à multiplicação de reuniões para prestar contas do nosso mandato, e à manutenção de um vínculo permanente entre nós.»

Comitê Europeu de Correspondência

A revolta do povo francês, que não aceita a destruição dos seus direitos e conquistas sociais, forneceu o ponto de apoio para a constituição de um Comitê Europeu de Correspondência. O seu objetivo é “fazer circular informações e debater livremente as respectivas experiências de luta, contribuindo para ajudar a amadurecer as condições da grandiosa luta de conjunto que se anuncia na Europa”.

A proposta foi lançada a 28 de Fevereiro, em Paris, por dezenas de militantes políticos, sindicalistas, Coletes Amarelos, detentores de mandato eletivo, inclusive um deputado da França Insubmissa, que também participou na Convenção dos Comitês de Resistência e Reconquista.

Trata-se da batalha para restabelecer a unidade dos trabalhadores no continente (inclusive com o Leste da Europa), e “para se libertar dos entraves da política de submissão e acompanhamento das velhas Direções que, durante décadas, paralisou a nossa resistência contra o rolo compressor do capital financeiro”.

Os signatários propõem-se organizar, a 4 de Maio, uma primeira reunião em Paris para constituir esse Comitê Europeu de Correspondência.


(1) Refere-se à retoma das conquistas e direitos laborais obtidos pelas grandes mobilizações, em França, de 1936 e 1945.

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