Estados Unidos têm maior desemprego desde 1948

A taxa de desemprego nos Estados Unidos saltou de 3,5% em março para 14,7% em abril. É o maior nível desde que começou a estatística em 1948, pelo BLS (o IBGE dos EUA).

Maior nível desde 1948

Esse é o maior nível desde que começou a estatística em 1948, pelo BLS (o IBGE dos EUA). São 23 milhões de pessoas que procuraram emprego e não encontraram em abril. E o BLS  ainda alerta que o número é subestimado em ao menos 5%, já que muitos – embora necessitando de emprego sequer procuraram-no por ora, seja por desalento ou por ter conseguido acesso aos escassos benefícios emergenciais (da Pandemia) concedidos pelo governo.

Além dos desempregados, havia em abril 18,1 milhões de trabalhadores com contratos suspensos, podendo perder o emprego a qualquer instante. Ao todo no mês, apenas metade dos americanos estavam trabalhando. É o nível mais baixo desde a 2ª Guerra.

Os maiores índices de desemprego estão entre os mais vulneráveis e os que recebem menos. No mês de abril, 15,7% das mulheres, 16,7% dos negros, 18,9% dos latinos-hispanos e 31,9% dos adolescentes procuraram emprego mas não encontraram. Os ramos mais atingidos são lazer (7,7 milhões de empregos perdidos, ou 47% dos funcionários do setor), indústria (perda de 1,3 milhão de empregos), notavelmente a automotiva (382 mil).

Mas o setor de saúde também perdeu 1,4 milhão de empregos devido ao fechamento de muitos consultórios.

O fim dos confinamentos nas próximas semanas e meses é também motivo de preocupação da classe trabalhadora. A central sindical AFL-CIO  exige um plano do governo para o pós “distanciamento-social”, pois há desconfiança em relação à sua preparação. A AFL-CIO exige garantia da segurança dos trabalhadores, com equipamentos de proteção individual adequados e em número suficientes.

Assassinatos de negros durante o confinamento

Protesto em Lansing, Michigan, EUA
pprotesto em Lansing, Michigan, EUA

A polícia matou Steven Taylor, de 33 anos, em um supermercado próximo a Oakland, Califórnia, em 19 de abril. Ele estava tendo um ataque de esquizofrenia e andava agitando um taco de beisebol. A polícia chamada ao local imediatamente disparou dois tiros de Taser (revólver de eletrochoque) ordenando-o a largar o taco. Com o taco já no chão, policiais dispararam duas balas e, finalmente, uma terceira quando Steven estava caído e o deixou morrer sem prover primeiros socorros.

Em 23 de fevereiro, na Geórgia, Ahmaud Arbery, negro de 25 anos, foi morto a tiros enquanto fazia jogging. Os dois assassinos, um ex-policial e seu filho, alegaram tê-lo confundido com um ladrão fugitivo. Levou mais de dois meses para o vídeo ser postado na Internet. Protestos têm ocorrido contra três juízes que haviam trabalhado com um dos assassinos antes da apresentação das acusações.

Em 25 de maio George Floyd foi assassinado brutalmente por um policial que ajoelhou em seu pescoço.

Foi o estopim de uma explosão social que varre os EUA com manifestações diárias há pelo menos uma semana.

Oito anos após os primeiros protestos do Black Lives Matter (a vida dos negros importam), seu slogan ainda é muito atual hoje.

Publicado originalmente em O Trabalho

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