Atividades complementares SIM, semestre letivo à distância NÃO!

A realidade nas universidades é de milhares de estudantes sem acesso e estrutura adequada para assistir aulas virtualmente. Segundo dados da União Nacional dos Estudantes, 58% das casas não têm computador, além de 40% dos estudantes não terem ambiente adequado para estudar. Leia o artigo de Dani Braz, diretora de assistëncia estudantil da UNE, publicado no site da Juventude Revolução do PT.


Atividades complementares SIM, semestre letivo à distância NÃO!

Com a suspensão das atividades das universidades e a necessidade do isolamento social devido à pandemia, os estudantes enfrentam problemas ligados ao ensino e à permanência, dificuldades essas que Bolsonaro e seu ministro da educação, Abraham Weintraub, não demonstram a mínima preocupação. 

Ao invés de se preocupar em adotar medidas para amparar estudantes de baixa renda que estão expostos numa situação  de calamidade — como dificuldades de continuar se alimentando devido ao fechamento dos restaurantes universitários para evitar focos de aglomeração e contaminação — o governo aproveita para, mais uma vez, tentar sucatear o ensino público. Uma de suas primeiras medidas foi a portaria 345 que prevê a flexibilização do ensino a distância nos currículos presenciais e autoriza que disciplinas sejam integralmente ministradas de forma remota, exceto aquelas vinculadas à prática de profissionais de estágios e laboratórios. Mas com tantos estudantes em situação de fragilidade, como ofertar qualquer tipo de conteúdo a distância?

A realidade nas universidades é de milhares de estudantes sem acesso e estrutura adequada para assistir aulas virtualmente. Segundo dados da União Nacional dos Estudantes, 58% das casas não têm computador, além de 40% dos estudantes não terem ambiente adequado para estudar. Quando falamos das Classes D e E, o número é ainda maior: 60% dos estudantes não têm acesso a internet. É diante dessa realidade que o ministro da educação tenta implementar o ensino EaD.

“O EaD é uma forma de rebaixar a qualidade do ensino”

É preciso apontar que além da situação precária de condições mínimas de estrutura de acesso para estudantes e professores, o ensino a distância é uma forma de rebaixar a qualidade do ensino. Não é possível garantir na modalidade EAD as mesmas condições de aprendizagem, aproveitamento de conteúdo, entre outros elementos que possibilitam uma formação de qualidade aos estudantes. A investida do governo federal na tentativa de implementar o ensino a distância é mais uma demonstração daqueles que querem precarizar e privatizar a educação. Não podemos aceitar EAD nas nossas universidades!

As atividades complementares, disponibilizadas pelos professores em ambientes virtuais, podem ser uma alternativa ao semestre letivo à distância, para que os estudantes possam continuar mantendo uma rotina de estudos durante a pandemia. Nesse sentido exigimos como pré requisito, para implementação dessas atividades, a garantia por parte do poder público de estrutura mínima para estudantes e professores. Não é possível nenhum tipo de atividade sem condições mínimas de acesso.

A juventude que já enfrentava uma situação de desemprego de cerca de 30% é ainda mais prejudicada com a continuidade das políticas de morte feitas por esse governo. Sem emprego, sem renda, sem estrutura para assistir aulas virtualmente, a implementação do ensino EAD é mais uma medida de exclusão e rebaixamento da qualidade do ensino que parte do governo e do Ministério da Educação. Através de suas organizações, os estudantes precisam seguir na luta pela universidade pública, gratuita e de qualidade, um direito social conquistado que não podemos abrir mão! É necessário, cada dia mais, a resistência dos próprios estudantes para defender a educação e colocar fim a esse governo.

  • Fora Bolsonaro e todo seu governo!
  • Atividades complementares SIM, semestre letivo à distância NÃO!

Dani Braz – diretora de assistência estudantil da UNE

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