Luis Inácio falou!

“O essencial hoje é vencer a pandemia, pôr fim a esse desgoverno e acabar com o teto de gastos que deixa o Estado brasileiro de joelhos diante do capital financeiro”

Em gravação de 24 minutos publicada nas redes sociais na tarde deste dia 7 de setembro, Dia da Independência, o ex-presidente Lula fez uma fala contundente que está repercutindo muito nas mídias. Inspiradora, ela traz uma reflexão para os petistas sobre os caminhos para enfrentar a grave crise atual, e como avançar praticamente. Voltaremos ao tema. Reproduzimos abaixo trechos da fala do nosso principal líder, bem como o vídeo na íntegra (também disponível no site do PT). Intertítulos da redação.


“Para reconstruirmos o Brasil precisamos de um novo contrato social através do voto livre de manipulações. Eu me coloco à disposição do povo, especialmente dos trabalhadores”

Minhas amigas e meus amigos.

Com 130 mil mortos e quatro milhões de pessoas contaminadas, estamos despencando em uma crise sanitária, social, econômica e ambiental nunca vista. Os governos que emergiram do golpe congelaram recursos e sucatearam o Sistema Único de Saúde, o SUS. E o colapso só não foi ainda maior graças aos heróis anônimos, as trabalhadoras e trabalhadores do sistema de saúde.

Os recursos que poderiam estar sendo usados para salvar vidas foram destinados a pagar juros ao sistema financeiro. O Conselho Monetário Nacional acaba de anunciar que vai sacar mais de 300 bilhões de reais dos lucros das reservas que nossos governos deixaram. Seria compreensível se essa fortuna fosse destinada a socorrer o trabalhador desempregado ou a manter o auxílio emergencial de 600 reais enquanto durar a pandemia.

O mais grave de tudo isso é que Bolsonaro aproveita o sofrimento coletivo para, sorrateiramente, cometer o maior crime que um governante pode cometer contra seu país e seu povo: abrir mão da soberania nacional.

A submissão do Brasil aos interesses militares de Washington foi escancarada pelo próprio presidente ao nomear um oficial general das Forças Armadas Brasileiras para servir no Comando Militar Sul dos Estados Unidos, sob as ordens de um oficial americano.

O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, que se confundem com a história do desenvolvimento do país, estão sendo esquartejadas e fatiadas – ou simplesmente vendidas a preço vil. Depois de colocar à venda por valores ridículos as reservas do Pré-Sal, o governo desmantela a Petrobrás.

O desmanche não termina aí.

A demolição das universidades, da educação e o desmonte das instituições de apoio à ciência e à tecnologia, promovidos pelo governo, são ameaça real e concreta à nossa soberania.

“Aí está a raiz dos processos armados, da minha prisão ilegal e da proibição da minha candidatura em 2018”

Decidi me concentrar, ao lado de vocês, na reconstrução do Brasil como Nação independente, com instituições democráticas, sem privilégios oligárquicos e autoritários. Um verdadeiro Estado Democrático e de Direito, com fundamento na soberania popular.

Todos os avanços que fizemos sofreram encarniçada oposição das forças conservadoras, aliadas a interesses de outras potências. Eles nunca se conformaram em ver o Brasil como um país independente. É aí, nessas conquistas dos trabalhadores, nesse progresso dos pobres, no fim da subserviência, é aí que está a raiz do golpe de 2016.

Aí está a raiz dos processos armados contra mim, da minha prisão ilegal e da proibição da minha candidatura em 2018. Processos que – agora todo mundo sabe – contaram com a criminosa colaboração secreta de organismos de inteligência norte-americanos.

Um dado escandaloso: nos quatro primeiros meses da pandemia, quarenta bilionários brasileiros aumentaram suas fortunas em 170 bilhões de reais. Enquanto isso, a massa salarial dos empregados caiu 15% em um ano, o maior tombo já registrado pelo IBGE. É inaceitável que os trabalhadores brasileiros continuem sofrendo os impactos perversos da desigualdade social.

Não podemos admitir que nossa juventude negra tenha suas vidas marcadas por uma violência que beira genocídio.

Vidas negras importam, sim. Mas isso vale para o mundo, para os Estados Unidos e vale para o Brasil.

É intolerável que nações indígenas tenham suas terras invadidas e saqueadas e suas culturas destruídas.

Temos que combater com firmeza a violência impune contra as mulheres.

“Não acredito e não aceito os chamados pactos ‘pelo alto’, com as elites. Vamos juntos reconstruir o Brasil.”

Meus amigos e minhas amigas,

Para reconstruirmos o Brasil pós pandemia, precisamos de um novo contrato social entre todos os brasileiros.

O alicerce desse contrato social tem que ser o símbolo e a base do regime democrático: o voto. É através do exercício do voto, livre de manipulações e fake news, que devem ser formados os governos e ser feitas as grandes escolhas e as opções fundamentais da sociedade.

Através dessa reconstrução, lastreada no voto, teremos um Brasil um democrático, soberano. Se estivermos unidos em torno disso poderemos superar esse momento dramático.

O essencial hoje é vencer a pandemia, defender a vida e a saúde do povo. É pôr fim a esse desgoverno e acabar com o teto de gastos que deixa o Estado brasileiro de joelhos diante do capital financeiro nacional e internacional.

Nessa empreitada árdua, mas essencial, eu me coloco à disposição do povo brasileiro, especialmente dos trabalhadores e dos excluídos.

Nenhuma solução terá sentido sem o povo trabalhador como protagonista. Assim como a maioria dos brasileiros, não acredito e não aceito os chamados pactos “pelo alto”, com as elites. Não contem comigo para qualquer acordo em que o povo seja mero coadjuvante.

Mais do que nunca, estou convencido de que a luta pela igualdade social passa, sim, por um processo que obrigue os ricos a pagar impostos proporcionais às suas rendas e suas fortunas.

E esse Brasil, minhas amigas e meus amigos, está ao alcance das nossas mãos. Posso afirmar isso olhando nos olhos de cada um e de cada uma de vocês. E dizer, do fundo do meu coração: estou aqui. Vamos juntos reconstruir o Brasil.

Viveremos e venceremos.

Lula

Um comentário em “Luis Inácio falou!

  • 8 de setembro de 2020 em 15:04
    Permalink

    Penso ser um importante pronunciamento e que pode vir a ser um marco de um possível rompimento defenitivi com as políticas de conciliação de classes por parte do PT ou de setores do PT.
    Mas, na minha visão, isto só será possível se os agrupamentos marxistas do PT passarem a ter um maior protagonismo.
    Está aberto uma boa oportunidade para o DAP contribuir para que o PT seja realmente um partido independente e ganhe mais espaço político dentro e fora do PT

    Resposta

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