Rede de favores de Vorcaro expõe a podridão das instituições

Bolsonaro e Daniel Vorcaro estão presos. O primeiro por tentativa de golpe de Estado, já o dono Master por chefiar o esquema bilionário de fraudes financeiras estimado em R$ 50 bilhões. O negócio ascendeu como foguete durante a gestão “cega” do BC pelo homem de Bolsonaro, Roberto Campos Neto. Ele torrou fundos de pensão de servidores públicos e lesou muitos outros tantos, financiou festas privadas no exterior ao custo de R$ 12 milhões.

As operações de Vorcaro se cruzaram com o crime organizado. No emaranhado para despistar o caminho do dinheiro, apuração da Folha de São Paulo aponta a operação pela fintech Gold Style, um “banco paralelo” do PCC (Primeiro Comando da Capital). O Gold Style, por sua vez, era administrado pelo Reag Trust do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel (preso), relacionada na Operação Carbono Oculto que apura a lavagem de dinheiro do crime.

A PF acusou formalmente o presidente do Progressistas, o senador Ciro Nogueira, de receber uma mesada de R$ 300 mil do ex-presidente do Master. Ele e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, teriam tentado negociar a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), que foi impedida depois pelo BC.

Documentos da PF indicam também que Ciro e o presidente da Câmara de Deputados, Hugo Motta (REP/PB), tiveram hospedagem em hotel de luxo em Lisboa paga por Vorcaro para participarem do “Gilmarpalooza”, o evento anual privado organizado por Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O cuidado de Vorcaro com a privacidade é notável, a um de seus funcionários disse que forneceria uma “lista de homens” (sic) para um jantar, para outro insistiu que “pode ser o Papa, que não pode entrar, ninguém que não esteja na lista”.

No STF, Gilmar e o ministro André Mendonça discordaram da manutenção ou não das prisões do pai de Vorcaro e seu primo Felipe Vorcaro, o principal operador, alvos da operação da PF. Gilmar defendia a conversão da prisão preventiva em domiciliar. Ele foi derrotado, no seu argumento tentou traçar um paralelo entre a Lava Jato – operação persecutória que não tem a ver com a máfia armada de Vorcaro – e as comprovadas fraudes bilionárias do Master.

Anteontem, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT/BA), foi alvo de uma operação que apreendeu dólares e euros no valor de meio milhão de reais, bem como de ganhar como propina um apartamento de R$ 2,5 milhões para sua nora, cuja empresa recebeu “pelo menos 12 milhões do Banco Master” (O Globo 18/06). Foi a Reag que teria intermediado a operação, e pago uma excursão de sua família para um show em Nova York.

Jaques nega envolvimento com Vorcaro, lembra que encaminhou contra PEC de seu interesse, diz que o dinheiro são “sobras” de diárias de viagens ao exterior, e que o apartamento ele pediu ao então sócio de Vorcaro, o banqueiro baiano Augusto Lima, para comprar que ele se comprometia a recomprar. Lima foi quem privatizou o Credcesta (Cesta do Povo) quando Wagner era o secretário de Desenvolvimento Econômico do estado da Bahia.

A base social do PT está preocupada. Numa democracia o senador se licenciaria da liderança do governo para se defender, dando todas as explicações necessárias, e desassociar a discussão da campanha à reeleição do presidente Lula.

O conjunto do caso Master, o maior escândalo financeiro da história do país, mostra a amplitude da podridão que contaminou os poderes, o Congresso e, inclusive, o Judiciário. É bem a hora de discutir uma reforma política radical.

Marcelo CarliniDireção Estadual do PT/RS

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