Em Berlim, “A Esquerda” derrota extrema-direita com pautas concretas

Em 20 de setembro, na capital Berlim, “A Esquerda” ganhou as eleições com 25,7% dos votos, na frente do CDU com 18,8%, AfD com 16,3%, Verdes com 14,3% e o SPD 12,1%. A campanha de Elif Eralp para prefeita foi de combate contra o governo local SPD-CDU, destacando o custo da moradia como grande questão social. Ela defende fixar tetos para os aluguéis de prédios geridos por empresas públicas além de desapropriar imóveis de grandes empresas imobiliárias. No seu programa também a volta dos bilhetes de transporte de 9 euros e criação de cantinas populares, além da facilitação para imigrantes obterem cidadania alemã. Elif teve 43% entre os jovens de 18 a 24 anos, e 49% entre eleitores entre 25 aos 34 anos.

Berlim, que já foi o bastião do SPD, agora registrou o seu pior resultado eleitoral desde a reunificação da Alemanha em 1990. A lição que fica, inclusive para “A Esquerda”, é que é preciso avançar uma política de oposição à ampla coalizão em torno do CDU-SPD e sua política de armamentismo e ataques aos serviços públicos e empregos (a Volkswagen anunciou o corte de 100 mil postos de trabalho na Alemanha, por exemplo).

Eleições locais em dois estados (Lander) da Alemanha – Saxônia-Anhalt (em 6 de setembro), Mecklembourg-Pomerânia ocidental (20 de setembro) – registraram um crescimento histórico da AfD (Alternativa para a Alemanha), partido de extrema direita de tintura neonazista. Trump e Elon Musk felicitaram a AfD por abrir caminho para um “futuro radiante para a Alemanha”.

O que esses resultados obtidos pela AfD expressaram foi o enorme rechaço e desespero de amplos setores da população alemã diante da política do atual governo federal de coalizão do chanceler (1º ministro) Friedrich Merz (CDU, democracia cristã de direita) e do vice-chanceler (ministro das Finanças) Lars Klingbeil do SPD (social-democracia).

Assim, todos os partidos que, de uma ou outra forma, apoiaram a “grande coalizão” CDU-SPD nos governos locais também sofreram rechaço eleitoral, como foi o caso do partido “A Esquerda” que perdeu votos na Saxônia-Anhalt, onde a AfD fez 44% dos votos, o seu melhor resultado histórico.

Em 20 de setembro a AfD ficou em primeiro lugar também em Mecklembourg-Pomerânia ocidental com 38,2%, seguida pelo SPD, com 35,5%. A CDU sequer passou a barreira de 5% dos votos para ter representantes no parlamento local.

O que cai por terra é a política do chamado “cordão sanitário” (ou “firewall”), que é juntar todos os partidos da direita à esquerda para isolar a AfD. O que é preciso é afirmar claramente uma alternativa de esquerda, que dialogue com as necessidades concretas das amplas massas, para barrar o avanço da extrema-direita.

Julio Turra – Membro da secretaria sindical nacional do PT

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *