Greenhalgh: “O DAP é uma espécie de motor de arranque do PT”

Reproduzimos na íntegra a fala de Luis Eduardo Greenhalgh, membro do comitê nacional do DAP que organiza o Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio (CILI). Greenhalgh fez a fala de encerramento da plenária nacional virtual do DAP neste sábado, ao que ele chamou de um resumo das “idéias-força” discutidas na plenária.

O Gilson Lírio colocou, acho que é uma boa visão, o DAP é uma espécie de motor de arranque do PT

Luis Eduardo Greenhalgh
Greenhalgh, do comitê
nacional do DAP

Não haverá saída para o Brasil sem a saída do governo Bolsonaro. O país vive uma sequência de ameaças e provocações diárias, e essas ameaças materializam uma tentativa de escalada fascista no Brasil. O PT não vai trair o povo brasileiro, o PT vai continuar a fazer oposição sistemática e contundente, e vamos levar a luta até o fim, pelo fim do governo genocida de Jair Bolsonaro.

Nós queremos democracia, mas a democracia que queremos é aquela que protege os direitos do povo trabalhador do Brasil. Nós, os petistas, não vamos nos omitir, não vamos desistir, nós somos socialistas e não queremos que a barbárie atual continue, fora Bolsonaro, viva o PT, viva o DAP do PT, nenhum passo sem o povo.

Nós estamos verificando a sacanagem que é esse governo utilizando da pandemia contra as conquistas que a duras penas tivemos, em relação ao trabalhadores, com a retirada de direitos, direitos dos trabalhadores, dos estudantes, das universidades, agredindo a ecologia, incendiando a Amazônia, as áreas de proteção ambiental, substituindo o ensino presencial pela educação a distância. Enfim a gente vê que o governo Bolsonaro está se aproveitando da pandemia pra tentar passar a boiada do ultra neoliberalismo em nosso país, em uma escala como nunca a gente viu.

E é verdade também que a resistência agora é uma resistência dos povos quase que simultânea, e essa situação de simultaneidade nos ajuda, se a gente tiver a possibilidade de intercâmbios permanentes, sobre o que se está fazendo na África, o que se está fazendo na Argélia, o que se está fazendo nos EUA, no Chile, no México. Daí, o sucesso que foi a experiência positiva dessa “live” internacional que a gente fez, a experiência positiva da “live” nacional que foi feita antes.

O DAP tá se adaptando muito rapidamente a essa situação de conjuntura, essa situação excepcional da nossa conjuntura. A única coisa que o DAP oferece é a certeza de que tem que lutar, que nós temos que resistir, que há uma escalada militarista, e que nós temos que nos adequar a essa situação resistindo, lutando, nós não temos outra alternativa senão lutar.

Esse ano é um ano de eleição, nós vamos apoiar a Benedita no Rio, vamos apoiar o Lino Peres em Florianópolis – aliás, belíssima intervenção do nosso companheiro -, vamos apoiar outros companheiros, vamos apoiar com que jeito? Vamos apoiar com base em um programa, um programa mínimo com as origens do PT, com as bandeiras históricas do PT, um programa que vise sempre a defesa e a recuperação dos direitos que nos municípios também estão sendo tirados de nós, vamos apoiar vereadores, vamos para as ruas.

O DAP tem que apoiar também e participar, não só apoiar, o DAP tem que participar das manifestações, é verdade que tem que ter cautela, é verdade que tem que ter distância, é verdade que tem que ter máscaras, é verdade que tem que obedecer o protocolo, mas temos que ir pra rua sem medo pra enfrentar essa situação. As ruas são nosso lugar preferido, é lá que a gente nasceu no PT, é lá que o DAP hoje, uma certa consciência crítica do PT, busca fazer com que o PT saia de um certo comodismo, saia dos espaços exclusivamente institucionais e venha de novo se encontrar com o povo nas ruas.

As ruas são o nosso lugar, sempre que possível a gente deve ir nas nossas manifestações, e sempre que possível meter os pirulitos do DAP. Aliás, eu queria dar aqui, isso não é resumo da reunião, mas é uma opinião minha, eu acho que os pirulitos são muito pequenos, acho que a gente já tem condições de dobrar o tamanho dos nossos pirulitos, tá certo?  Em todas as manifestações nossas põe lá a estrela do PT, põe o vermelho do PT, põe a bandeira do PT, põe os pirulitos em dobro do DAP pra que a gente pirulite lá, “pirulitos de Itú”, tá certo? E sempre que possível com a identidade do DAP.

Nós temos que apoiar esses candidatos com compromisso de defesa dos cidadãos, dos trabalhadores.

O Gilson Lírio colocou, acho que é uma boa visão, o DAP é uma espécie de motor de arranque do PT. O DAP, companheiros, se vocês olham pra trás, no retrovisor, e vê como a gente nasceu, como foi crescendo, como chegamos aqui, além de ser o motor de arranque, é hoje uma certa consciência crítica, tá certo? Quando as pessoas vêm a gente do DAP, elas respeitam, elas sabem que estamos no trajeto correto, defendendo a bandeira do PT, e hoje tá mais fácil porque, sinceramente, a nossa presidente Gleisi tá de acordo conosco, o nosso presidente Lula, para decepção de muitos setores da CNB, tem feito intervenções no nosso sentido, do nosso lado com as mesmas preocupações.

Acho que é bom, também, aproveitar o espaço das eleições para lembrar o golpe contra a Dilma, a situação jurídica do Lula, a perseguição implacável ao PT, pra que a gente possa também juntar na análise, na aproximação, na busca do voto também, relembrar e recuperar a verdade sobre a narrativa do golpe.

Enfim, tem muita luta pra gente participar, tem muita luta pra gente lutar, e o nosso papel no PT, o nosso papel nos períodos eleitorais é isso, os espaços institucionais para um partido como o nosso são importantes, o erro é a gente só fazer política nesses espaços, se distanciando das bases, das nossas origens, da população.  Então, a gente tem que ter um pé no parlamento mas os dois pés na periferia, na população, nos sindicatos, nos movimentos sociais.

Essa luta hoje com base nessas manifestações eclodidas nos EUA, aqui no Brasil a gente tem exemplos diários sobre isso, eu acho que essa história também vai pegar aqui no Brasil. Espaços institucionais são importantes, mas não podem ser exclusivizados, não podemos nos distanciar das bases populares, o poder popular é nas ruas.

E, por fim, eu quero falar: a gente não pode deixar, militante do DAP, em qualquer discussão que faça, de levantar como vai ficar a situação do nosso país. Depois do governo genocida de Jair Bolsonaro, as instituições vão estar em frangalhos, nós vamos ganhar deles, o povo vai passar por cima do Jair Bolsonaro, mas nosso país terá instituições em frangalhos, pra isso a gente precisa, pra recuperar essas instituições sob a perspectiva do nosso povo, nós precisamos começar a discutir, desde, já a Assembleia Nacional Constituinte Livre e Soberana.

E nós não podemos ter vergonha. As pessoas, às vezes, quando eu falo isso, falam assim: lá vem o pessoal do DAP dando trabalho, falar de Assembleia Constituinte, há 40 anos que eles falam isso. Mas faz 500 anos que essas instituições do Brasil estão apodrecendo, e se a gente quiser ter um poder popular verdadeiro nós vamos ter que ter uma Assembleia Nacional Constituinte Livre e Soberana. Como disse o Sokol, quem vai anular o que eles fizeram de mal? E o que estão fazendo de mal contra o nosso país? É uma Assembleia Nacional Constituinte.

Então, companheiros, eu acho que é um pouco isso, finalmente, agradecer às referências que me foram feitas, mas dizer pra vocês: o papel do DAP no PT hoje é estratégico, no sentido da sua importância.

Muito obrigado, um abraço.

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