Vicentinho contra o voto em candidato golpista

Neste final de semana, o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, publicou um áudio expondo sua opinião sobre a eleição da Mesa Diretora da Câmara.

Lembrando que o golpe está em curso, com a destruição da Previdência Social, o aumento da jornada de trabalho, o negociado sobre o legislado, as terceirizações e a entrega do Pré-Sal, Vicentinho defende que não pode votar em golpistas.

O deputado aponta que tanto Rodrigo Maia (DEM) quanto Jovair Arantes (PTB) são membros ativos do golpe em curso contra os direitos dos trabalhadores, contra os serviços públicos e contra o patrimônio nacional.

Dizendo-se sem condições de votar em qualquer um dos golpistas, Vicentinho relembra que a atuação do Partido dos Trabalhadores no parlamento deve ser pautada pela defesa dos direitos da classe trabalhadora e da democracia.

Defende, ainda, que é necessário que o PT volte às suas bases, reaproximando-se dos trabalhadores e da militância.


Confira o áudio completo:


Minhas companheiras e meus companheiros do nosso amado Partido dos Trabalhadores, conselheiras e conselheiros do meu mandato.

Aqui quem fala é Vicentinho.

Nesse momento em que estamos para tomar uma importante decisão na próxima terça-feira, quero aqui manifestar a minha opinião a respeito desse processo eleitoral no que se refere à inclusão de um membro nosso na Mesa Diretora da Câmara e a perspectiva de eleição de um candidato a presidente.

Na época da saída de Eduardo Cunha e da entrada de uma nova candidatura, eu havia defendido, inclusive, o nome de Luíza Erundina para unificar toda a esquerda, mas na bancada eu fui convencido de que deveria apoiar o Marcelo. Marcelo do PMDB, não golpista, votou conosco em todas as questões de muita lealdade e, portanto, era uma possibilidade de termos um presidente que podia atuar com um caráter democrático e não permitir o golpe, que continua a cada dia nesta casa no parlamento brasileiro.

Que golpe é este que continua? A Previdência Social, ameaçados os direitos do trabalhadores, dos aposentados, do trabalhadores rurais, a precarização e piora da condição de vida das mulheres para se aposentar e também projetos como o aumento da jornada de trabalho, o legislado sob o negociado, a maldita terceirização, a entrega do patrimônio brasileiro como foi o caso do Pré-Sal. Tudo isso é a continuidade do golpe.

Pois bem, nós não conseguimos eleger o Marcelo e no segundo turno tinha lá o Rodrigo Maia como candidato e o [Rogério] Rosso como candidato para a eleição que ocorreu.

Alguns deputados resolveram votar, votar inclusive em Rodrigo Maia, posições que eu discordo mas respeito, mas naquele dia eu decidi, juntamente com um grupo de companheiros, sair fora e nem votar nos candidatos porque os dois eram candidatos e são golpistas.

Nesse momento o debate volta. O debate volta e surgem as candidaturas: Jovair Arantes, relator do impeachement da presidenta Dilma, relator do golpe contra a presidenta Dilma e contra o povo brasileiro e Rodrigo Maia, cujo discurso é avançar o mais rápido possível nas reformas trabalhista e previdenciária, e nós sabemos o que isso pode significar.

Na semana passada, em reunião da bancada (a primeira reunião da bancada), eu fui o primeiro deputado a pedir até a compreensão dos meus companheiros, dizendo que eu não tinha condição de votar nesses candidatos golpistas. Não pelo nome, porque isso já havia ocorrido em outros períodos antes do golpe. Agora é uma nova situação.

Alguns companheiros parlamentares também tiveram essa mesma posição, outros não tiveram. Tiveram a posição de que essa luta para que tenhamos um cargo na Mesa Diretora vale a pena, portanto, apoiar um desses candidatos.

A minha defesa foi e será, na próxima terça-feira na bancada, que nós devemos buscar uma aliança com os deputados não golpistas. Uma aliança com aqueles que podem fazer do parlamento um parlamento que atue em defesa do povo trabalhador.

Não sendo assim, eu peço a compreensão dos meus companheiros do meu partido que defendem posição diferente e, interpretando a decisão da Direção Nacional, que não impôs e definiu que a Bancada pode deliberar através de votação, o meu voto será, portanto, contra o apoio aos candidatos golpistas.

Ser for possível fazer uma aliança com a esquerda, beleza. Com o seguimento progressista, com o seguimento não-golpista, OK. Mas votar em candidato golpista eu não tenho condição. Eu espero a compreensão dos companheiros.

A nossa atuação no parlamento deve se dar em defesa dos direitos da nossa classe, da classe trabalhadora. A nossa atuação tem que se dar em defesa da verdadeira democracia. Mesmo que, para isso, corramos o risco de não ter um membro na Mesa Diretora.

Nós temos é que nos voltar para nossa base. Hoje eu estive reunido com a militância guerreira, valorosa, da Volkswagen, lá no Instituto Cajamar.

Tenho conversado com os conselheiros do meu mandato e com a minha assessoria e com vários dirigentes sindicais, meus irmãos de sonho, de luta, de jornada. Com vários companheiros.

A posição tem sido essa: não legitimar esses que continuam dando o golpe.

Por isso Fora Temer! Por isso Fora Golpistas!

Obrigado.

Um comentário sobre “Vicentinho contra o voto em candidato golpista

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